Tecnologia brasileira leva segurança de dados à origem e é destaque na Hannover Messe 26
Fraudes em infraestruturas críticas acendem alerta global e tecnologia brasileira chega à Alemanha como resposta.
Arquitetura criptográfica levou segurança à origem dos dados em dispositivos IoT e já opera em equipamentos regulados, com potencial em energia, mobilidade e utilities.
Infraestruturas críticas ao redor do mundo operam com uma vulnerabilidade silenciosa relacionada à ausência de identidade digital confiável nos dispositivos que geram e transmitem dados. O problema, ainda pouco visível fora dos bastidores técnicos, abre espaço para fraudes, manipulação de informações e riscos operacionais em setores como energia, mobilidade, saneamento e abastecimento, áreas em que falhas não são toleradas.
Nesse contexto, a brasileira Cermob Tecnologia apresentou na Hannover Messe 2026, na Alemanha, realizada entre os dias 20 e 24 de abril, uma proposta voltada à segurança na origem dos dados. A empresa levou ao evento a Automatrust, uma arquitetura criptográfica desenvolvida para proteger dispositivos IoT desde o momento em que a informação é gerada.
A tecnologia já está em operação no Brasil, aplicada em equipamentos regulados pelo Inmetro, e ganhou visibilidade internacional no Pavilhão Brasil, iniciativa coordenada pela ApexBrasil. A participação ocorreu em um momento estratégico, uma vez que o país será o parceiro oficial do evento em 2026, ampliando o alcance global de soluções nacionais.
Considerada a principal vitrine mundial da transformação industrial, a Hannover Messe reuniu mais de 3.500 expositores e cerca de 123 mil participantes. O evento se consolidou como palco de tendências em áreas como inteligência artificial, automação, digitalização e segurança.
O avanço da digitalização em infraestruturas públicas transformou sensores e medidores inteligentes em elementos centrais da operação de serviços essenciais. Ao mesmo tempo, ampliou a superfície de ataque e criou brechas para fraudes que muitas vezes não são identificadas pelos modelos tradicionais de segurança.
A proposta da Cermob partiu do conceito de Zero Trust Edge (ZTE), no qual nenhum elemento do ambiente digital é considerado confiável por padrão. Esse modelo desloca a segurança do perímetro da rede para dentro do próprio dispositivo IoT, garantindo que cada equipamento tenha uma identidade digital única, auditável e protegida desde a origem.
A arquitetura combina infraestrutura de chave pública, assinaturas digitais com certificados OM-BR e ICP-Brasil, criptografia de alta performance e mecanismos de hashchain e blockchain. O objetivo é assegurar a integridade dos dados, impedir adulterações e garantir rastreabilidade com validade jurídica, requisito cada vez mais exigido em ambientes regulados.
Os componentes utilizados contam com certificações internacionais como NIST, FIPS 140-2 e Common Criteria EAL5+, padrões reconhecidos globalmente em segurança da informação. No Brasil, a solução está em uso desde 2022, inicialmente aplicada à proteção antifraude em bombas de combustível.
“A indústria entra em uma fase em que a identidade digital de cada dispositivo IoT passa a ser tão crítica quanto a própria infraestrutura física. Sem isso, não há garantia de integridade dos dados nem confiança nas operações”, afirmou Alexandre Siffert, managing director da Cermob Tecnologia.
Para o executivo, a presença na Hannover Messe marcou um avanço na estratégia de internacionalização. “Foi uma oportunidade de mostrar que o Brasil tem capacidade de desenvolver soluções avançadas em criptografia e segurança digital para infraestruturas críticas”, disse.
Com o tema “Think Technology for the Future”, a Hannover Messe 2026 reuniu empresas, governos e especialistas para discutir o futuro da indústria. Para companhias brasileiras, o evento se consolidou como uma vitrine estratégica para inserção global, formação de parcerias e expansão de mercado.

















