Give To Gain: ampliar a liderança para fortalecer a segurança na América Latina - NetSeg

Give To Gain: ampliar a liderança para fortalecer a segurança na América Latina

Corporativo | 2026-03-04

Por Johana Arias, Diretora de Vendas da Milestone Systems para a América Latina 

A indústria de segurança na América Latina atravessa uma transformação histórica: a digitalização acelerada, a integração de plataformas, a inteligência artificial aplicada ao vídeo e a convergência entre segurança física e cibersegurança configuram um cenário cada vez mais complexo, no qual o setor exige soluções mais robustas e estratégicas. 

A tecnologia avança rapidamente e, em paralelo, os modelos de negócios se transformam. Os riscos evoluem, as exigências regulatórias se intensificam e os clientes demandam respostas mais integradas e de maior alcance. 

A pergunta é inevitável: nossa liderança está evoluindo no mesmo ritmo? O Dia Internacional da Mulher 2026 nos convoca sob uma mensagem clara: Give To Gain (dar para ganhar). Na indústria de segurança, esta não é uma consigna simbólica, mas uma estratégia que demonstra que ampliar a liderança significa fortalecer a resiliência, impulsionar a inovação e elevar a competitividade de todo o ecossistema. 

Um retrato que exige movimento 

Em vários mercados latino-americanos, a participação feminina na segurança privada varia entre 5% e 17%, de acordo com dados oficiais e relatórios setoriais recentes. No Peru, por exemplo, a Superintendência Nacional de Controle de Serviços de Segurança, Armas, Munições e Explosivos de Uso Civil (SUCAMEC, 2022) registrou mais de 125.000 agentes credenciados na segurança privada, dos quais 6.604 eram mulheres, o que representa apenas 5,3%. 

Na Colômbia, a Superintendência de Vigilância e Segurança Privada situa a participação feminina em torno de 17%. No México, dados do INEGI indicam que as mulheres representam cerca de 15% na segurança privada, enquanto apenas 12,9% das instituições estaduais de segurança pública são lideradas por mulheres (Censo Nacional de Segurança Pública Estadual, INEGI 2023). No Chile, registros setoriais estimam participação próxima a 15%, e no Brasil, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023 aponta que a presença feminina na segurança pública gira em torno de 14%. 

Em contraste, alguns mercados desenvolvidos superam 20% de participação feminina na segurança privada e, em determinados segmentos especializados, aproximam-se de 25%. No entanto, quando se analisam posições de gerência média e direção, a representação diminui ainda mais. Embora a região enfrente o desafio de contar com métricas homogêneas por nível hierárquico, a tendência é clara: quanto maior a responsabilidade estratégica, menor a representação. 

O talento está presente. O que ainda falta é ampliar as oportunidades. 

Não é representação, é competitividade 

Em um contexto em que a América Latina enfrenta desafios em investimento, modernização tecnológica e infraestrutura crítica, ampliar a liderança feminina não é um luxo, mas uma alavanca de crescimento. Indústrias que integram talentos diversos fortalecem sua capacidade de atrair investimentos, reter profissionais altamente qualificados e responder com maior agilidade a ambientes regulatórios em mudança. 

Em nível global, a participação feminina na segurança pública situa-se entre 15% e 20%. No campo tecnológico, pilar da segurança moderna, as mulheres representam cerca de 30% da força de trabalho, embora menos de 20% em funções técnicas avançadas. 

A diferença entre regiões não está no diagnóstico, mas na ação

Organizações que apostam na diversidade em suas equipes de liderança conseguem avaliar riscos com maior amplitude, incorporar perspectivas complementares e fortalecer sua capacidade de adaptação. Em setores nos quais a gestão de risco constitui o núcleo do negócio, essa amplitude não é opcional: é uma vantagem competitiva. 

Governança que impulsiona resultados 

A conversa sobre liderança não é cultural, é estratégica. Conselhos de administração avaliam risco, talento, sustentabilidade e projeção de longo prazo; em um setor que protege infraestrutura crítica, cidades inteligentes e ecossistemas digitais complexos, a liderança deve refletir a complexidade do ambiente que gerencia. 

Ampliar o acesso a posições de liderança fortalece a resiliência organizacional e permite que as decisões sejam tomadas com uma visão mais ampla e representativa. A diversidade não substitui a excelência: ela a potencializa. 

Give To Gain em ação 

Na Milestone Systems acreditamos que esse desafio requer um compromisso real e, por isso, apoiamos ativamente iniciativas impulsionadas pela Security Industry Association, por meio do Women in Security Forum, e, em nossa região, pela Asociación Latinoamericana de Seguridad (ALAS), que promovem o desenvolvimento profissional, a mentoria e a construção de liderança na indústria. 

Esse esforço, no entanto, não cabe apenas às mulheres, mas requer a participação ativa de líderes, mentores e patrocinadores (muitos deles homens que hoje ocupam posições de decisão), porque a liderança inclusiva não desloca: multiplica capacidades e fortalece equipes. 

Oferecer patrocínio executivo real, acesso a projetos estratégicos, visibilidade em espaços de decisão, métricas claras de crescimento e confiança antes que a experiência seja considerada perfeita são ações concretas que fazem a diferença. 

Quando damos isso, ganha a organização, ganha o ecossistema e ganha a indústria

A segurança protege pessoas, infraestrutura e futuro e, nesse sentido, a coerência exige que também protejamos e ampliemos o talento que a liderará. E, na América Latina, esse futuro será mais digital, mais interconectado e mais exigente. 

Give To Gain não é uma campanha anual, mas uma mentalidade, porque a liderança não se constrói apenas com capacidade, mas com oportunidades. Cada oportunidade que decidimos dar hoje define a indústria que teremos amanhã. Não por reputação, mas por competitividade; não por obrigação, mas por convicção.