Ela deixou o emprego de enfermeira para criar uma empresa de automação – e hoje concorre a prêmio global - NetSeg

Ela deixou o emprego de enfermeira para criar uma empresa de automação – e hoje concorre a prêmio global

Automação | 2020-03-10

Projeto realizado pela Arqtech para a Sanepar: edifício inclui botão para otimizar gasto energético.

A Arqtech Automação, fundada pela paranaense Thais Giordani, leva tecnologia a casas e empresas do Brasil e do Paraguai. Negócio foi selecionado para categoria global do KNX Awards, na Alemanha.

A empreendedora Thais Giordani, 31, já fez de tudo um pouco quando se trata de trabalho. Vendeu cachorro-quente em uma barraca, teve uma loja de bonés e chegou a trabalhar como enfermeira no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Mas a carreira não satisfez o seu perfil de empreendedora nem seu interesse pela tecnologia. Em 2014, ela deixou o cargo para fundar a Arqtech Automação, uma empresa que leva soluções como Internet das Coisas (IoT) para casas e empresas.

Com sede em Cascavel, no Paraná, a empresa hoje tem clientes em outros estados e até no Paraguai. Também está entre os finalistas da categoria global do KNX Awards. O prêmio integra a programação da Light Building, uma feira de automação e iluminação que ocorre na Alemanha. "Somos as únicas mulheres e a única empresa da América Latina concorrendo", diz a fundadora.

Do imaginário à realidade
O ingresso de Thais no setor de automação aconteceu, sobretudo, por curiosidade. Enquanto ainda cursava Enfermagem, ela já se pegava imaginando como a tecnologia poderia ajudar a realizar algumas tarefas. "Eu ainda nem sabia que isso tinha um nome, pois não fazia parte da minha realidade", conta.

Em 2014, após passar no concurso para atuar no SAMU de sua cidade, ela decidiu ingressar paralelamente em uma graduação em Arquitetura. Na mesma época, teve seu primeiro contato com a tecnologia que imaginava – mas não pela faculdade. "Um dia eu cheguei da aula, parei para assistir ao Programa do Jô e um cara estava lá falando sobre automação. Foi mágico, porque era exatamente o que eu queria fazer", relembra a empreendedora.

Thais logo se inscreveu em um curso online sobre o tema e reuniu colegas da faculdade em um grupo de estudos. Eles analisaram dados sobre o mercado, a demanda e o perfil das obras na região, pensando em como poderiam trabalhar com a tecnologia. Conseguiram os dados, mas ainda tinham outro desafio.

"Nenhum de nós tinha dinheiro para abrir a empresa. Mas eu queria muito, então comecei a fazer todas as horas extras possíveis no SAMU", relembra a empreendedora. Na época, ela e a hoje noiva, Valéria de Fátima Gonçalves, também passaram a frequentar cursos presenciais sobre o tema – e se viram como as únicas duas mulheres em todas as turmas. "Os homens agiam como se aquele não fosse um lugar para mulheres", diz Thais.

Mais tarde, Juliane Danbros, 32, entrou na história. Também estudante do curso de Arquitetura, ela se interessou pela ideia de Thaís e, com o apoio do pai, entrou como sócia investidora. Com um aporte de cerca de R$ 40 mil, ela hoje tem 15% da empresa.

Tentativa e erro
Para efetivamente fundar a Arqtech, Thais precisou dar um grande passo: deixar seu cargo público na área de enfermagem. Ela pediu exoneração em julho de 2014 e, no mês seguinte, já comandava a sua empresa. O primeiro projeto foi realizado de graça para um amigo, que cedeu a casa para que elas testassem um kit de automação. 

"No começo, apanhamos bastante para aprender. Mas investi todo o dinheiro que tínhamos em cursos, imersões, viagens e equipamentos", diz Thais. Segundo ela, foram investidos cerca de R$ 80 mil no primeiro ano, unindo o aporte de Juliana e a receita vinda do primeiro cliente atendido.  

Um dos primeiros desafios do negócio foi ensinar para os potenciais clientes e parceiros a finalidade das tecnologias oferecidas. "Era quase uma catequização. Fomos de escritório em escritório de arquitetura apresentando o que fazemos, e até hoje é assim."

Tecnologia de um canto ao outro
Entre os serviços prestados pela Arqtech está o de otimizar obras e edifícios com o uso de dispositivos de Internet das Coisas (IoT). É possível, por exemplo, automatizar um sistema de ar-condicionado para identificar o nível de gás carbônico no espaço e, sempre que necessário, renovar o ar – o que, segundo ela, ajuda a deixar funcionários menos sonolentos e mais despertos, por exemplo.

Outras possibilidades são a de instalar persianas e sistemas de iluminação ajustáveis de acordo com o a luz natural ou controlados pelo smartphone. Segundo Thais, o desenvolvimento tecnológico tem colaborado para tornar soluções como essa cada vez mais acessíveis. "Antes, um cliente precisaria ter um orçamento de ao menos R$ 6 mil para executar um projeto. Hoje, um kit para controlar o áudio, vídeo e ar condicionado pela voz ou celular custa R$ 997", diz ela.

O projeto que concorre ao prêmio da KNX Awards foi realizado para a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). O conjunto de tecnologias instalado, segundo a empreendedora, permite reduzir o consumo energético de todo o prédio em 10% apertando um botão. Por isso, o empreendimento concorre na categoria global de eficiência energética. A premiação, antes marcada para março, foi adiada para setembro por conta do coronavírus.

Expansão
Hoje, a Arqtech tem clientes em municípios do Paraná, de estados como São Paulo e do Paraguai. Além da sede em Cascavel, são mantidos show rooms em três cidades – e mais um será inaugurado neste mês no país vizinho. "A quantidade de projetos de alto padrão no Paraguai é muito boa e a quantidade de dinheiro é enorme", destaca Thais.

Após um 2019 difícil, afetado por fatores como o atraso de obras públicas atendidas, a empreendedora espera voltar a crescer em 2020. A empresa faturou R$ 800 mil no ano passado e a expectativa, baseada no número de projetos no radar, é chegar a R$ 5 milhões neste ano. Thais ainda espera que a unidade paraguaia fature, sozinha, cerca de US$ 1 milhão.