O banco do futuro será tão seguro quanto for seu ecossistema
Quando uma operação bancária acontece em poucos segundos na tela de um celular, existe uma infraestrutura robusta trabalhando por trás para que aquela transação seja concluída com segurança. São sistemas, dados, aplicações, redes e diferentes fornecedores funcionandode maneira coordenada. E quanto mais digital se torna essa operação, maior também é a quantidade de pontos que precisam estar protegidos.
Os impactos de uma falha mostram o tamanho dessa responsabilidade. Segundo o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, uma violação de dados custa, em média, R$ 7,19 milhões no Brasil. No setor financeiro, a média chegou a R$ 8,92 milhões por incidente. O número ajuda a colocar a cibersegurança em uma perspectiva mais ampla: um incidentepode gerar perdas financeiras, interromper operações, comprometer dados e afetar uma relação de confiança construída durante anos.
É justamente a complexidade desse ambiente de TI que merece mais atenção. Uma instituição financeira pode contar com diferentes tecnologias para armazenar informações, processar transações, identificar comportamentos suspeitos e manter seus serviços disponíveis. Cada camada possui seus próprios mecanismos de proteção e, ao mesmo tempo, precisa conversar com as demais.
A segurança passa a depender também das conexões entre essas camadas. Fabricantes, integradores, distribuidores e outros parceiros participam de diferentes etapas da construção e sustentação dos ambientes tecnológicos. Uma vulnerabilidade, uma configuraçãoinadequada ou uma falha de processo em um desses pontos pode criar uma exposição que ultrapassa o ambiente onde o problema começou.
Essa realidade torna a relação com os parceiros tecnológicos uma questão estratégica. A escolha de uma tecnologia precisa considerar o ambiente no qual ela será utilizada, a forma como será integrada, atualizada e monitorada e os requisitos de segurança queacompanham todo esse ciclo. O conhecimento técnico continua sendo fundamental, mas a capacidade de atuar de forma coordenada dentro de um ecossistema também ganha peso.
A movimentação do próprio setor financeiro mostra a dimensão dessa transformação. A inteligência artificial e a cloud ampliam ainda mais essa discussão. Modelos de IA passam a participar de processos que envolvem informações sensíveis e exigem atenção à origemdos dados, aos níveis de acesso, à privacidade e à rastreabilidade. Nos ambientes em nuvem, a diversidade de aplicações, usuários e fornecedores exige uma governança capaz de acompanhar essa complexidade.
Nesse cenário, segurança precisa fazer parte da arquitetura desde o início. Não se trata apenas de proteger sistemas individualmente, mas de compreender como dados circulam, como aplicações se conectam, quem possui acesso a cada ambiente e como a organizaçãoconsegue identificar e responder a um incidente. A qualidade dessa estrutura depende da visão que existe sobre o conjunto.
Essa preocupação ganha outra dimensão quando consideramos o comportamento dos clientes. Segundo a Febraban, 83% das transações bancárias já são realizadas por canais digitais. A disponibilidade dos serviços passou a fazer parte da experiência financeira cotidiana,tornando a resiliência tecnológica um componente importante da própria relação entre instituições e usuários.
O setor financeiro seguirá incorporando novas tecnologias e ampliando sua infraestrutura digital. A questão será garantir que essa evolução aconteça com uma visão cada vez mais integrada sobre segurança, governança e continuidade das operações.
O banco do futuro será construído por uma rede ampla de tecnologias, empresas e especialistas. E a segurança dessa rede dependerá da qualidade de cada elo, mas também da capacidade de todos os participantes compreenderem que suas decisões fazem parte de umamesma estrutura. É essa responsabilidade compartilhada que permitirá ao setor avançar em inovação sem ampliar, na mesma proporção, sua superfície de risco.
*Augusto Saraiva é Engineering Sales Specialist da Adistec Brasil



















